Por Gildson Gomes dos Santos*

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Marina

Particularmente compreendo com pureza d’alma o discurso de Marina Silva e vejo sinceridade no que a candidata diz. O problema é que Marina fala de um domínio cultural estranho ao espaço em que as eleições estão sendo praticadas: o da cultura patriarcal.

Se Marina está plantando para que gerações futuras possam colher daqui a cem anos, tudo bem! Sua campanha parece perfeita. Tome numa face e ofereça a outra. Nada contra! Mas, se o objetivo for vencer a eleição presidencial de 2014, com esse discurso, o fracasso a aguarda. E não há nada o que fazer senão insistir na busca pelos sagrados valores perseguidos.

Infelizmente, a campanha de Marina Silva ainda não se deu conta de que na rede fechada de conversações (cultura) em que nos encontramos imersos não há espaço para a “verdade”, o “respeito”, o “amor”, a “gratidão”, a “confiança”, a “colaboração”. Nela não podemos chorar, nos emocionar, tampouco oferecer a outra face, ao menos num primeiro momento.

Na linha cultural aceita irrefletidamente no Ocidente prevalece o apoderamento, o controle, a desconfiança, o desrespeito, o patrimonialismo, a hierarquia, o preconceito, a intolerância, o desamor, a negação do outro, enfim. Lamento dizer, mas são essas as cartas que estão na mesa. Não é possível trocar de baralho na atual conjuntura. Uma operação desse nível demandaria anos, e não horas…

Marina Silva, se seu desejo é semelhante ao meu, nesta fase da campanha, desafie, retribua os seus adversários com  o mesmo metal vil. À Dilma impute o Petrolão, gerenciado por um funcionário da confiança dela, segundo o art. 37, II, da Constituição Federal; cobre coerência relativamente ao discurso oco de combate à corrupção de Dilma, pois quem é aliado de Maluf, Sarney, Renan Calheiros, Collor e Lula não tem respaldo moral para enfrentá-la.

Depois, se o povo lhe conceder a honra de ser a presidente da República, ofereça a outra face ao Brasil, e não a seus adversários, pondo em movimento o processo de transformação cultural  que esperamos de pessoas utópicas, ingênuas, doces e puras como você, desde a “verdade”, o “respeito”, o “amor”, a “gratidão”, a “confiança”, a “colaboração”.